Em agosto desse ano, nós fomos ao Brasil depois de quase 10 anos sem voltar. E eu tive algumas surpresas. Vem ver as minhas impressões!
Nessa viagem ao Brasil, eu tive várias impressões, tanto boas quanto ruins. E vou começar pelo o que eu mais esperava dessa viagem: a comida.

Comida
Não tem jeito. A comida do Brasil é infinitamente mais gostosa do que a do Canadá. Frutas, legumes e verduras frescos, aquela água de côco na praia… sem falar nos pães, queijos, requeijão, doces…. E a feira que nós fomos? Pastel, caldo de cana, frutas de todos os tipos, docinhas e no preço? Que maravilha!
E as padarias? Gente do céu, pão fresquinho, doce, salgado, café da manhã com café pingado e pão na chapa…
Eu pensei que iria voltar com alguns quilos a mais, mas na verdade, emagreci. O que será que tem nessa comida do Canadá que nos engorda?
Praia
Não adianta: quando alguém tem a coragem de falar que em Toronto tem praia, eu tenho um mini piripaque. Toda vez. Praia de verdade, com água salgada, conchinhas, ondas, areia branquinha, aquele cheiro de sal, o sol…
E não ter que levar o farnel, pois tem vendedor de TUDO o que você possa imaginar na praia. E todos aceitam Pix. Vale também pra barraca e cadeiras. Uma pena que não fomos mais vezes. A pequena amou e pedia para ir todos os dias.
Natureza
Que país bunitu, gente. Para onde você olha tem uma montanha, uma planta, um bichinho. Que lugar incrível.
Além das praias, nós vimos muitos bichos, inclusive miquinhos, que a pequena nunca tinha visto antes. E os caramelos? No Brasil é comum a gente ver cachorro na rua, coisa que aqui em Toronto não temos. Mas a verdade é que ninguém pensa no porquê de não ter cachorro nas ruas aqui. O motivo não é porque vivemos num lugar super especial onde não existem cachorros de rua. A verdade é que os cachorros que vão para abrigo, depois de um certo tempo, se ninguém for buscar ou adotar, eles são sacrificados. Sim, aqui não tem cachorro na rua porque são sacrificados. Eu prefiro ver os caramelos na rua, felizes, do que pensar que não tem porque simplesmente matam os bichinhos.
Preços
Eu não tinha idéia de como as coisas estavam caras no Brasil. Sim, depois de converter, o nosso dinheiro rende mais lá, mas esse não é o ponto. O ponto é, como as pessoas vivem no Brasil? É inimaginável para mim pensar se eu morasse lá, com o salário que eu imagino que fosse ganhar, viver, morar, comer, pagar escola, dentista… Comida então, que eu sempre achei barato, fiquei horrorizada com os preços. Brinquedos, prefiro nem comentar. Nem cheguei a ver preço de roupas, mas pelo que vi, não quero nem imaginar.
Pessoas
Ah, o brasileiro! Que povo alegre e simpático! Caloroso! Que diferença dos canadenses sisudos! Fiquei chocada certo dia, quando estava na varanda da casa de minha sogra, e o carteiro passou, me viu e me cumprimentou. Coisas que são tão simples, mas fazem uma grande diferença.
Também fiquei admirada num dia na praia, duas meninas brincando com a pequena, como se conhecessem há anos! Coisa mais fofa, gente!
Mas… tenho que comentar também que fiquei impressionada com a falta de educação de algumas pessoas. Na conexão de São Paulo para o Rio, eu tive o primeiro baque: nós tínhamos feito um vôo de 9 horas, quase não dormimos, a pequena passou mal e vomitou, estava com a roupa suja, um calor que ninguém merece e para embarcar, uma fila gigantesca. Quando estava chegando no raio-x, um casal simplesmente perguntou a pessoa na minha frente se poderiam passar a frente dele pois estavam atrasados. Eu não fiquei quieta, reclamei e o abusado teve a petulância de responder como se estivesse certo! Obviamente minha reclamação de nada adiantou, mas pelo menos na hora abriu uma outra fila e eles não passaram a minha frente. É muita falta de respeito.
Quando voltamos também fomos mal tratados pelo funcionário da PF. A nossa filha não tinha documento brasileiro, então fomos para a fila de estrangeiros. Quando coloquei o passaporte canadense dela no balcão, o cara já jogou os braços para cima, dizendo que não queria ver passaporte estrangeiro e queria os passaportes brasileiros. Quando ele acabou o escândalo, eu expliquei que ela não tinha documento brasileiro nenhum. Desnecessário.
Trânsito
Meu Deus, o que é o trânsito no Rio de Janeiro? Nós alugamos um carro, e eu estava louca para dirigir um carro manual. Mas olha, que tenso. Não dirigir o carro manual, que foi até tranquilo (e eu amei!), mas o trânsito é muito doido. Ninguém respeita sinal, gente passa na contra mão para entrar na sua frente, moto para tudo que é lado se jogando na frente do carro, gente atravessando em qualquer lugar… eu quase surtei no primeiro dia que dirigi, mas depois já estava me sentindo em casa 😀
Barulho
Que tópico engraçado de comentar! No Canadá quase não se ouve barulho. Não se ouve buzina, barulho de trânsito (como as casas tem janelas duplas para manter a temperatura, isso também abafa o som lá de fora), as pessoas não falam alto normalmente e não se ouve latido de cachorro.
Que diferença! No Brasil é cachorro latindo o tempo inteiro, buzina, gente gritando na rua, carro do ovo, do gás, afiador de alicate assobiando, gargalhadas… a primeira vez que fomos num restaurante a pequena ficou bem tensa, porque era tanta gente falando ao mesmo tempo que a gente tinha que gritar para se fazer ouvir. Mas logo nos acostumamos.
Policiamento
Eu fiquei bem impressionada com o policiamento no Rio de Janeiro. Em todo lugar tinha patrulhinha, sempre via carro da PM passando e vários carros da Civil também, sempre com as luzes acesas. Não sei se isso é bom ou ruim, mas eu gostei.
Lugares turísticos
Eu sempre achei que o Rio de Janeiro era depreciado. Lugares lindíssimos que muitos turistas não conheciam, pontos turísticos largados, sem placas, enfim. Mas fiquei bem surpresa com os passeios que fizemos. Todos os pontos turísticos que visitamos estavam super conservados e bem tratados e limpos, lojinhas de souvenirs, lanchonetes, cafés… Foi uma surpresa bem positiva.
Golpe
Isso eu nem posso dizer que é problema exclusivo do Brasil, mas no último dia lá, comecei a receber vários alertas de compra no meu cartão de crédito. Liguei para o banco aqui e enquanto eu estava com a atendente na linha, ela via a pessoa tentando usar o cartão, que tinha sido clonado. Graças a Deus isso foi só no último dia, porque eu não tinha levado dinheiro. Uma dor de cabeça.
Minha casa
Sabe quando você viaja e fica meio perdido? Não sabe se está em casa ou não? Então, eu não senti isso. Já cheguei me sentindo em casa, como se eu nunca tivesse saído do Brasil. Eu fiquei meio chocada com essa sensação, pois pensei que depois de tantos anos, me sentiria um peixe fora d’água, mas não foi o que aconteceu. Mesmo não ficando na minha cidade natal. Que coisa, não?
Uma pena que não consegui encontrar ninguém quando fomos. A viagem foi muito rápida, e eu queria muito passear com a pequena e aproveitar a família.