25 anos de Canadá

Parece mentira, mas hoje faz 25 anos que fizemos o landing no Canadá. E resolvi escrever, de uma forma bem resumida, sobre esses últimos 25 anos. Então, pega um cafezinho e vamos prosear?

Por que Canadá?

A nossa história no Canadá começou com a vontade dos meus pais de um futuro melhor para a família. Hoje me pergunto como eles tiveram essa visão, há tanto tempo atrás. E tenho muito orgulho deles, que tiveram coragem de deixar tudo para trás, uma vida estável, emprego, e vieram para um lugar que não conheciam, com quase 50 anos, para que tivéssemos mais oportunidades.

 

Processo

Na verdade, eu não lembro de como foi o processo, eu não estava muito interessada. Acho que eu não levava muita fé de que esse plano se realizaria (tolinha), e eu não estava muito animada de mudar e abrir mão de tudo o que eu tinha e já conhecia. Na época eu já trabalhava na minha área, estava terminando minha faculdade… na minha cabeça, a pergunta era: “Pra que mudar?”.

Mas o PR saiu.

Expectativas x Realidade

A verdade é que nós não tínhamos ideia do que esperar. Não tinha Google, jornais, livros, revistas, picotes de qualquer coisa… e olha que procuramos.

Então meu pai veio na frente, arrumou um emprego, e nós viemos depois de arrumar a mudança (sim, trouxemos nossa mudança num container – todas as vezes que mudamos), burocracias, e eu ainda terminei meu último semestre na faculdade.

É engraçado (estranho) ver como tanta coisa mudou de lá para cá. Nós não tínhamos a facilidade de pesquisar tudo pela internet, não conhecíamos ninguém que morasse aqui… procurar emprego significava comprar o jornal no sábado (no Brasil era domingo, lembra?), que era quando saía a edição mais completa, com classificados, revistas, propagandas… Para mandar o currículo, tínhamos que ir naquelas lojas que faziam cópias, para mandar fax. Entrevistas eram pessoalmente, telefone era somente para marcar dia/hora e endereço da entrevista. E era uma batalha para entender o que o entrevistador dizia.

Além disso tudo, começar tudo do zero, tirar documentos, abrir conta em banco, procurar uma casa sem conhecer a cidade direito, tirar carteira de motorista, carro, móveis… não foi nada fácil, mas graças a Deus, deu tudo certo. Aos poucos, tudo foi se encaixando, e cada conquista era uma vitória!

O meu primeiro emprego aqui foi numa seguradora. Levei quase 1 ano fazendo entrevistas, mas eu era muito tímida, morria de vergonha de falar errado ou com sotaque, e as pessoas achavam que eu não falava inglês. No final, eu já estava de saco cheio, e acho que foi por isso (porque eu não estava mais desesperada) que consegui o emprego, hahaha.

A vaga era para programador júnior, e um ano depois, como já tinha experiência e também mais desenvoltura, consegui um outro emprego, melhor, com mais responsabilidades e um salário mais alto. Isso sempre foi assim por aqui, e acho que não mudará tão cedo. O primeiro emprego é o mais difícil (pode ser rápido, mas pode demorar a aparecer), mas depois dele, é bem mais fácil conseguir um melhor, que tenha mais a ver com o que você procura. A famosa “experiência canadense”, que parece aquela propagando da Tostines? “Vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?”. Muitos começam fazendo trabalho voluntário, justamente para poder ter uma referência.

Apesar de ter faculdade no Brasil, eu achei que seria bom fazer um college aqui. Na verdade, fiz um part-time no Centennial, e para ser sincera, não acho que valeu a pena. Não aprendi nada de novo, e ninguém nunca mencionou diplomas em entrevistas. Talvez outras áreas sejam diferentes, mas essa é a minha experiência na área de TI.

Voltar para o Brasil? Tá doido?

Depois de 3 anos por aqui, tiramos a cidadania canadense. Vivemos aqui 7 anos, e nunca voltamos ao Brasil. Mas aí, meus pais resolveram voltar para lá.

E dessa vez, quem não queria voltar, era eu. Já tinha meu emprego, carro, amigos. Não tinha mais nada no Brasil. Comprei minha casa aqui, pensando que seria mais um motivo para ficar.

Mas resolvi ir no Brasil de férias, meio que para ter certeza de que não queria mesmo voltar para lá. Só que depois de tantos anos, a beleza da minha cidade, as praias, a comida, os amigos que há tanto tempo não via, o sol e calor… Foi uma maravilha! Eu nem queria mais voltar para Toronto para vender a casa e fazer a mudança, hahaha!

Em resumo: vendi a casa, arrumei a mudança, dei as 2 semanas no trabalho e voltei pro Rio.

E foram os melhores 2-3 meses da minha vida. Na verdade, o bom era poder “estar de férias”. Mas quando a rotina bateu (trajeto para o trabalho, dia-a-dia), comecei a me arrepender da minha decisão. E posso dizer que me arrependi todos os dias que vivi lá, e queria muito voltar para o Canadá.

Para mim, o problema da mudança é o largar tudo que você conquistou para começar de novo.

Mas Deus vai abrindo as portas e as coisas fluem (até quando você acha que nada vai mudar, ou que tudo está “dando errado”).

Voltar para Toronto? Endoidou de vez.

Conheci meu marido na empresa que trabalhava. E aí, o plano de voltar para o Canadá começou a se concretizar.

Viemos para Toronto, com meu marido trabalhando remoto. Arrumei um emprego aqui e logo depois dele receber o WP, ele arrumou um emprego rápido na área dele.

Mudamos algumas (muitas) vezes, consegui meu emprego na empresa onde sempre sonhei trabalhar, minha filha nasceu… e aqui estamos.

Futuro

Essa é a minha história até aqui. A verdade é que eu me sinto mais canadense do que brasileira, talvez por ter passado a maior parte da minha vida adulta aqui. Essa é a minha casa, mas eu tive que voltar para o Brasil para ver isso. E foi bom. Pude ter certeza da minha decisão, e não ficar pensando se eu deveria ou não voltar ou ficar. Mas aprendi a nunca dizer nunca. As coisas acontecem quando tem que acontecer. Como diz aquela linda canção, interpretada pela maravilhosa Doris Day: “Que sera sera”.

 

 

 

 

 

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4 Responses

  1. Priscilla says:

    Amei o seu texto! Era tudo que eu precisava ler e enviar para o meu marido ler! Ele tem medo de recomeçar, de trocar uma vida estável aqui no Brasil por algo incerto aí. Mas como você disse: Deus vai abrindo as portas e as coisas fluem! E que Ele continue abençoando você e sua família!

    • Paula Calhelha says:

      Obrigada pela mensagem Priscilla! Com planejamento e calma dá sim, se Deus quiser 🙂 Que Ele nos abençoe a todos!

  2. Ilza says:

    Parabéns pelo texto! Amei! Mas fiquei curiosa… e seus pais? Retornaram para Toronto?

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