Gravidez em Toronto: diferenças entre Brasil e Canadá

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Eu vejo tantas futuras mamães que moram ou pretendem vir morar em Toronto com essas dúvidas, que achei legal escrever um outro post sobre isso.

Meus dois primeiros posts estão muito longos, então espero conseguir resumir tudo nesse post novo. Pra quem não sabe, tive minha filha aqui em Toronto em 2015, com acompanhamento da midwife, mas acabei fazendo uma cesária eletiva, porque meu bebê estava pélvico.

Posso escolher o obstetra?

Sim e não. Você pode certamente fazer uma pesquisa e escolher o profissional que você gostaria que te acompanhasse, mas você não pode simplesmente ir ou ligar no consultório do especialista. Você precisa que seu médico de família te encaminhe para o obstetra.

É importante ressaltar também que o médico que fez o seu pré-natal pode não ser o médico que vai te acompanhar no parto. O parto no hospital é feito pelo plantonista, ou seja, pode ser que seu médico esteja de plantão no dia do seu parto, mas isso raramente acontece.

Posso escolher cesariana?

Eu ouço muitas pessoas dizendo que aqui no Canadá, cesária é só pra caso de emergência. Não sei se foi “muita sorte” minha, mas na minha primeira consulta com a midwife, ela me perguntou que tipo de parto eu gostaria de ter: Cesária, normal (no hospital, em casa ou na casa de parto), com ou sem anestesia…. enfim, me senti a vontade para escolher realmente a via de parto.

A gente sabe que a “cultura” no Brasil é de marcar logo a cesária praticamente quando se descobre a gravidez (apesar de estar mudando, leia aqui). Aqui no Canadá, o normal é “ter normal”, mas isso também está mudando um pouco. Leia mais aqui.

O que eu percebo aqui é que a mulher tem direito de escolha. Então, é possível que alguns médicos tentem parto normal a todo custo, mas existem médicos que fazem cesariana até para primeira gravidez. É só procurar.

Qual a frequencia das consultas?

O número de consultas pode variar, mas a recomendação de SOGC (Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canada) é a seguinte:

  • 1 consulta a cada 4 semanas até a 30a semana de gestação;
  • 1 consulta a cada 2 semanas da 32a até a 36a semana de gestação;
  • 1 Consulta a cada semana a partir da 37a semana de gestação até o parto.

Quais são os exames pedidos?

Os exames variam muito, dependendo do andamento da gravidez. Mas já adianto que é bem diferente do Brasil, onde os médicos pedem um monte de exames e ultra-sonografias.

  • Na primeira consulta, geralmente o médico pergunta sobre o seu histórico de saúde, tipo sanguíneo, e pede um exame de sangue para saber se você é imune a algumas doenças que podem afetar a gravidez.
  • Ultra-sonografias:
    • Se você não tem certeza da data da última menstruação, o médico pode pedir uma ultra-sonografia para confirmar a idade gestacional e ajudar a calcular a DPP. Esse exame também mostra se você está esperando gêmeos e é feito entre 10 e 14 semanas.
    • Entre 11 e 14 semanas, também será oferecido o exame de translucencia nucal.
    • Ente a 18a e 22a semanas, você também pode fazer um US mais completo, onde são examinados o bebê e a placenta. Nesse exame também é possível descobrir o sexo do bebê, mas alguns lugares não dão essa informação, então é bom conversar com o seu médico se você quiser saber.

Obs: Quando fiz meu primeiro US (o dating scan), eu não sabia que alguns lugares não permitem acompanhantes, e fiquei bem frustrada de não poder ser acompanhada pelo meu marido. Mas pesquisando, vi que nem todos são assim. Descobri e gostei muito do atendimento no Metro Central Ultrasound. 

  • Teste de tolerância à Glicose: Esse exame é feito entre as semanas 24 e 28, e a gestante tem que ingerir um liquido laranja e retirar o sangue para detectar diabete gestacional.
  • Se a mulher escolher o parto normal, ela também vai fazer um exame para detectar estreptococos B, entre a 35a e 37a semana de gravidez.

Esses são os exames básicos, mas o médico também oferece exames genéticos (Prenatal genetic screening) e outros que ele achar necessário. Mas o que eu quis mostrar aqui é que, normalmente, durante toda a gravidez, você só vai fazer 2 ou 3 ultra-sonografias, muito diferente do Brasil. E o médico/midwife vai te deixar bem a vontade se você não quiser fazer alguns dos exames.

O parto é humanizado?

O que eu entendo por parto humanizado é a mulher ter o poder de escolha, seja onde (hospital, em casa ou casa de parto), como (com anestesia ou sem, quais intervenções…), em qual posição, quem vai acompanhar… e numa situação normal, aqui a mulher tem escolha. Obviamente isso as vezes não é possível em casos de emergência. Então, na minha opinião, aqui o parto é humanizado.

No meu caso, não tive opção, pois meu bebê estava pélvico e a equipe que estava me atendendo não fazia esse tipo de parto normal (e mesmo se fizesse, eu escolheria a cesária), então acabei fazendo cesária, mesmo sendo acompanhada por midwives.

Também no caso de cesária, o tratamento é muito diferente do Brasil. Por exemplo, o bebê fica o tempo todo ao lado da mãe, você escolhe todas as intervenções no bebê (se quer ou não o colírio…). Enfim, considero que aqui até as cesárias são “meio que humanizadas”.

Quem vai acompanhar meu pre-natal?

Aqui você tem as seguintes opções:

  • Médico:
    • Médico de família: alguns fazem esse tipo de acompanhamento, mas não todos. Fazem acompanhamento de gravidez de baixo risco, e também não são todos que fazem o parto, então, no fim da gravidez, a mulher é encaminhada para um obstetra ou midwife.
    • Obstetra: médico especializado, que acompanha tanto gravidez de baixo risco como as de alto risco.

Clique aqui para procurar um médico de família ou obstetra.

  • Midwife/sage-femme: São profissionais treinadas para acompanhamento do pre-natal e parto (que pode ser no hospital, em casa ou em casas de parto).

Clique aqui para procurar uma midwife.

  • Nurse Practitioner: esses profissionais oferecem ajuda durante a gravidez e depois do parto, mas não acompanham o parto. Trabalham em conjunto com o médico ou midwife.

Clique aqui para procurar uma Nurse Practitioner.

  • Doula: aqui como no Brasil, as doulas oferecem suporte a gestante e ao bebê, antes, durante e depois do parto, mas não tem treinamento médico.

Clique aqui ou aqui para procurar uma doula.

Quanto custa ter um bebê em Ontário?

Se você é cidadão canadense ou residente permanente vivendo em Ontário, você tem direito ao OHIP, que é o sistema público de saúde de Ontário. O OHIP cobre todos os custos hospitalares do pre-natal e parto. Ele também cobre a estadia no hospital em enfermaria, ou seja, se você quiser ficar em quarto privativo depois do parto, terá que pagar por fora. Alguns seguros particulares cobrem quarto semi ou privado, todo o valor ou parte. Nós pagamos 20% do valor da estadia em quarto privado porque nosso seguro só cobria 80% do valor.

Se a gestante é estudante e tem seguro particular, pode ser que o seguro cubra alguns custos, mas vai depender do seguro contratado.

Quem não tem OHIP nem seguro privado, provavelmente terá de pagar os serviços hospitalares, que não são baratos. Existem Community Health Centres que talvez prestem serviços gratuitos ou com baixo custo. Algumas midwives também atendem sem a carteira do OHIP, mas como nunca precisei, não sei ao certo. Aqui você encontra mais informações sobre gravidez sem OHIP.

Existem filas preferenciais para gestantes?

Não, aqui gestante não tem preferência (nem idosos). Mas a maioria dos shoppings e lojas tem vagas preferenciais para gestantes ou família com crianças pequenas.

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