Reflexões sobre a pandemia

Você já reparou como hoje em dia tudo é 8 ou 80?

Todo mundo tem uma opinião, e se alguém não concorda, está errado, e é inimigo mortal… Já vi amizades e até casamentos desfeitos por causa de diferenças de opinião. Esse ano, acho que foi ainda mais evidente, pelo menos para mim.

Eu tenho aprendido muita coisa a cada dia que passa. No início da pandemia, lá em janeiro, meus pais já estavam usando máscaras, porque já tínhamos passado pelo SARS aqui em Toronto, em 2003, e já tínhamos uma idéia (ou achávamos) do que viria. Foram chamados de malucos. Eu fiquei com medo, mas não usava máscara por vergonha do que os outros iriam pensar. Quase desisti de ir no AutoShow em fevereiro, mas fico feliz de ter ido, e participado de pelo menos esse evento esse ano.

No dia em que a província anunciou que as escolas ficariam fechadas por duas semanas depois do March Break, eu já tinha conversado com meu gerente, e tinha combinado com ele que eu iria trabalhar de casa por algum tempo. Meu marido fez a mesma coisa, e na semana seguinte, as empresas decidiram que os funcionários que pudessem realizar suas funções de casa, não deveriam ir ao escritório.

Eu me lembro que no início, eu estava em pânico. Ficamos meses sem ver meus pais, mesmo sem estarmos em lockdown e mesmo não saindo para nada. De lá pra cá, posso contar nas mãos as vezes que fui ao mercado (usamos o Instacart para compras), as vezes que saímos para passear… não passamos nem uma noite num hotel e não comemos nada na rua, nem mesmo um café no Tim Hortons.

Nós continuamos em casa, quietinhos… mas uma coisa certamente mudou: eu não penso mais que quem está na rua está errado, ou quem quer abrir seu negócio está errado. Que quem está em casa está errado. Que quem quer tomar vacina é isso ou quem não quer tomar vacina é aquilo. Eu acho que cada um faz o que quer e acha melhor para si e sua família. Eu não posso querer que todos pensem como eu. Cada pessoa é diferente, cada pessoa tem uma história, experiências… o que eu posso fazer é cuidar das minhas ações. Eu uso máscara quando saio de casa, lavo as mãos, uso álcool em gel… eu faço o que acho correto, e tenho minha consciência bem tranquila.

Eu tenho responsabilidade sobre o que está no meu controle.

Eu escrevo isso porque essa pandemia afetou muita gente. Pessoas perderam empregos, perderam seus negócios, perderam suas casas, perderam pessoas queridas… e isso tudo afeta muito o psicológico. Vejo muitas pessoas agressivas, muitos casos de suicídio, muita gente que, por não estar fazendo nenhum exercício físico, estão enfraquecendo… e as pessoas continuam julgando as outras. Se saiu de casa não respeita os outros, se não saiu é egoísta. Gente, cada um sabe de si. Se você quer tomar seu café do Starbucks, parabéns! É necessário? A menos que você trabalhe na rua, não, não é necessário. Então, se você gosta de tomar seu café, não reclame de quem sai para caminhar na rua. Você não tem ideia do que se passa com o outro. Empatia é uma coisa rara hoje em dia, mas precisamos entender que, na maioria dos casos, as pessoas têm boas intenções, e estão torcendo por um mundo melhor.

Que a gente possa se colocar no lugar do outro, respeitar outras opiniões e não considerar o outro inimigo só porque as opiniões são diferentes.

Esse é um dos meus desejos para esse ano que está começando.

 

 

Foto em destaque: Matt Collamer on Unsplash

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